{"id":9962,"date":"2020-06-29T19:49:09","date_gmt":"2020-06-29T22:49:09","guid":{"rendered":"https:\/\/abea.com.br\/?p=9962"},"modified":"2021-04-17T00:53:55","modified_gmt":"2021-04-17T03:53:55","slug":"seguranca-alimentar-no-mundo-pos-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abea.com.br\/sp\/seguranca-alimentar-no-mundo-pos-pandemia\/","title":{"rendered":"Seguran\u00e7a alimentar no mundo P\u00f3s Pandemia &#8211; Por Helen Jacintho"},"content":{"rendered":"<p>Atualizado em<strong style=\"color: #5c6b80; font-size: 16px;\"> 16\/07\/2020<\/strong><span style=\"color: #5c6b80; font-size: 16px;\">.<\/span><\/p>\n<p>O debate p\u00f3s pandemia dever\u00e1 se voltar para a seguran\u00e7a de toda cadeia de produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos. Falamos de economia Global, mas a pandemia originada pelo consumo de animais silvestres na China, nos mostrou de maneira dolorosa emocional e financeiramente, que sa\u00fade e seguran\u00e7a alimentar tamb\u00e9m devem ser tratados como temas globais.<br \/>\nO consumo de animais silvestres \u00e9 cultural em v\u00e1rias partes do mundo, europeus e norte americanos por exemplo, ca\u00e7am veados, lebres e p\u00e1ssaros. J\u00e1 na China, a cultura por consumo de animais ex\u00f3ticos raros era restrita \u00e0s classes sociais mais elevadas, devido ao seu alto valor; por\u00e9m ap\u00f3s a era Mao, devido a enorme escassez de prote\u00edna e fome entre a popula\u00e7\u00e3o, a ca\u00e7a e consumo de animais silvestres acabou tornando-se costume, principalmente no sudoeste. No final da d\u00e9cada de 70, reformas econ\u00f4micas feitas pelo governo estimularam a produ\u00e7\u00e3o e venda destes produtos silvestres por pequenos produtores rurais, visando regularizar e aumentar a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna para a popula\u00e7\u00e3o. De acordo com o Japan Times, estima-se que o mercado de animais silvestres tanto para alimenta\u00e7\u00e3o, quanto para medicina chinesa, movimente 75 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e empregue 14 milh\u00f5es de pessoas. O problema \u00e9 que diferentemente do Brasil, que segue os mais r\u00edgidos protocolos de sanidade, os animais silvestres na China eram criados e revendidos de maneira insalubre e desumana. Juntando a isto, temos os \u201cWet Markets\u201d mercados que misturam num mesmo ambiente, gaiolas de animais vivos, sangue, entranhas e fezes de animais que s\u00e3o abatidos no local; aquilo \u00e9 o pior dos pesadelos para qualquer engenheiro de alimentos!<br \/>\nCitando a fala da Dra Suzan Murray, veterin\u00e1ria chefe de vida Silvestre no Smithsonian Conservation Biology Institute (SCBI) e diretora do programa SCBI\u2019s Global Health Program, no World Economic F\u00f3rum: \u201cQuando for\u00e7amos esp\u00e9cies, que de outras maneiras n\u00e3o teriam contato, aumentamos a possibilidade de doen\u00e7as serem transmitidas\u201d.<br \/>\nA proibi\u00e7\u00e3o de comercializa\u00e7\u00e3o por 5 anos de animais silvestres, nos parece uma solu\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 apenas um paliativo, \u00e9 s\u00f3 lembrar da SARS em 2004, quando o mundo achou que os mercados de animais eram coisas do passado.<br \/>\nExiste uma press\u00e3o muito grande sobre a China para o controle sobre a sanidade, de acordo com o jornal New York Times, tem surgido retalia\u00e7\u00f5es de muitos pa\u00edses. Austr\u00e1lia e EUA exigiram explica\u00e7\u00f5es, Inglaterra e Alemanha est\u00e3o refletindo sobre o uso de tecnologia chinesa no sistema de telefonia 5G. EUA n\u00e3o s\u00f3 culpam a China pelo cont\u00e1gio, como pedem repara\u00e7\u00f5es e tanto os EUA como o Jap\u00e3o j\u00e1 se dist\u00e2nciaram economicamente da China. EUA est\u00e3o conduzindo sua pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o, e juntamente com a Uni\u00e3o Europeia, levar\u00e3o o tema a discuss\u00e3o na World Heath Assembly. No meio de tudo isto, a OMS ( Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) teve sua imparcialidade questionada por alguns, enfim, \u00e9 um grande embrolio!<br \/>\nO que \u00e9 certo \u00e9 que isto n\u00e3o pode continuar, os pa\u00edses precisam se unir e redefinir regras claras, protocolos de sanidade mundiais porque hoje o mundo \u00e9 globalizado e fronteiras n\u00e3o seguram v\u00edrus.<br \/>\nEnquanto isto, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil segue os mais r\u00edgidos protocolos internacionais. As normas definidas pela OMC (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio) muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o suficientes, pois alguns pa\u00edses, principalmente a China, querem criar normas tarif\u00e1rias e todo tipo de dificuldades; de agora em diante a tend\u00eancia \u00e9 que os pa\u00edses se fechem e aumentem ainda mais o protecionismo.<br \/>\nO setor de produ\u00e7\u00e3o de alimentos Brasileiro, nosso agroneg\u00f3cio, pode ser um protagonista mundial neste momento, pois o Brazil tem se destacado por produzir, processar e entregar com sanidade, qualidade e quantidade, enquanto mant\u00e9m o compromisso com a sa\u00fade e prote\u00e7\u00e3o aos funcion\u00e1rios em toda a cadeia.<br \/>\nO processo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos tem sido monitorado de forma global, doen\u00e7as em rebanhos, por exemplo, s\u00e3o monitoradas tamb\u00e9m globalmente para prevenir que se espalhem atrav\u00e9s das fronteiras como aconteceu com o COVID-19. Os avan\u00e7os em agropecu\u00e1ria, nutri\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3sticos veterin\u00e1rios e bem estar animal significam que muitas doen\u00e7as que j\u00e1 foram um problema, hoje s\u00e3o controladas com campanhas de vacina\u00e7\u00e3o, como por exemplo a febre aftosa ou com r\u00edgidos protocolos sanit\u00e1rios como a salmonela.<br \/>\nA cadeia de produ\u00e7\u00e3o de alimentos brasileira produz para abastecer o mercado interno e o excedente segue sendo exportado como commodities, equilibrando assim a balan\u00e7a comercial do pa\u00eds.<br \/>\nAlimentar o mundo durante e ap\u00f3s a pandemia \u00e9 uma prioridade entre as na\u00e7\u00f5es. Sigamos firmes nos nossos protocolos e buscando um n\u00edvel de melhoria constante, para estarmos na vanguarda desta busca por mais sanidade e seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>https:\/\/www.japantimes.co.jp\/opinion\/2020\/04\/18\/commentary\/world-commentary\/can-china-end-wildlife-trade\/<\/p>\n<p>https:\/\/www.weforum.org\/agenda\/2020\/05\/preventing-the-next-pandemic-why-vets-will-play-a-vital-role\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-9966\" src=\"https:\/\/abea.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/HELEN-3-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/abea.com.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/HELEN-3-300x300.jpeg 300w, https:\/\/abea.com.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/HELEN-3-150x150.jpeg 150w, https:\/\/abea.com.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/HELEN-3-400x400.jpeg 400w, https:\/\/abea.com.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/HELEN-3.jpeg 750w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/p>\n<p><strong>Helen Jacintho<\/strong><\/p>\n<p>Engenheira de Alimentos.<\/p>\n<p>Agropecuarista.<\/p>\n<p>Diretora de Comunica\u00e7\u00e3o do N\u00facleo Feminino do Agroneg\u00f3cio (NFA).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualizado em 16\/07\/2020. O debate p\u00f3s pandemia dever\u00e1 se voltar para a seguran\u00e7a de toda cadeia de produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos. Falamos de economia Global, mas a pandemia originada pelo consumo de animais silvestres na China, nos mostrou de maneira dolorosa emocional e financeiramente, que sa\u00fade e seguran\u00e7a alimentar tamb\u00e9m devem ser tratados como temas globais. 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