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A importância do palmito pupunha na região do Vale do Ribeira

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Esse estudo foi elaborado e escrito em 2019 por: Engenheiros de Alimentos pela UNIFEB e Especialistas em Gestão de Qualidade pela USJT Sulamita Bilezikdjian e Sérgio Ricardo de Brito Belo; Estudantes do Curso de Nutrição da UNISEPE Daniela Bernardo Franco, Daymara Bernardo Franco, Bianca Jaqueline Batista e Josiane Cordeiro Cadillac; Docentes do curso de Biomedicina da UNIFIA/UNISEPE Luis Henrique Romano, Joyce Beira Miranda da Silva, Aline Gritti Rodrigues, e pela Estudante do curso de Biomedicina da UNIFIA/UNISEPE Jéssica Thaina do Nascimento. A Engenheira Sulamita organizou a apresentação do estudo para a Revista da AEAVR, sendo essa a primeira parte.

A pupunheira (Bactris gasipae Kunth) é uma palmeira nativa da América Latina, sendo característica no Brasil da região Amazônica. Apesar de ser nativa da região norte, nota-se que esta planta apresenta cultivo em diversas localidades do Brasil, como nordeste e sudeste, destacando-se a região do Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, pois apresenta-se como uma ótima opção econômica para os produtores rurais (CORDEIRO e SILVA, 2009). 

Esta viabilidade econômica torna-se possível devido às características do palmito pupunha que facilitam sua produção, como capacidade de rebrotar, permitindo a continuidade em sua produção, cultivo em exposição direta ao sol, capacidade de perfilhar, além de permitir sua utilização precocemente. A pupunha pode ser extraída 18 meses após o plantio, permanecendo produtiva por até 10 anos. Além disso, tal planta é caracterizada pela incivilidade, força, produtividade e por ser adaptável a qualquer tipo de solo, desde que estejam drenados e sem alagamentos, fatores estes que favorecem seu plantio pelos produtores rurais (CORDEIRO; SILVA, 2009; BOVI, 1998). 

As vantagens observadas na produção do palmito pupunha tem gerado destaque econômico para o Brasil nos últimos anos, pois atualmente o país apresenta-se como o maior produtor, consumidor e exportador do produto, sendo responsável por aproximadamente 95% da produção de palmito consumido mundialmente (SILVA et al., 2006). 

A região do Vale do Ribeira tem apresentado destaque no estado de São Paulo, sendo responsável por 97% da produção total com área de plantação de 2.118 hectares, sendo 10,5milhões de plantas por hectare (SÃO PAULO, 2008). 

Além disso, estima-se que existem na região cerca de 30 fábricas de processamento do palmito em conserva, forma mais consumida do alimento (INFORMACIAR, 2014). 

Além de todo benefício gerado à economia do Brasil, nota-se que a pupunheira surgiucomo uma alternativa tecnológica para a produção de um alimento amplamente consumido pelos brasileiros (SILVA et al., 2006). 

Isso se justifica pelo palmito pupunha ser um produto natural, com sabor levemente adocicado, muito saboroso, podendo ser consumido assado ou cozido, além de complementar diversos pratos, como saladas (FROTA, 2015). 

Dessa maneira, a principal aplicabilidade e forma de consumo do palmito pupunha é em conserva, passando por diversas etapas na indústria de alimentos. Assim, o controle de qualidade nas diversas etapas de seu processamento torna-se essencial para garantir um alimento saudável do ponto de vista higiênico-sanitário, com qualidade organoléptica e características físico-químicas adequadas às necessidades dos clientes e das legislações vigentes. 

O palmito em conserva pode ser comercializado em toletes ou picado, sendo este último mais vulnerável às variabilidades de corte e presença de refugo no vidro. Na avaliação da qualidade do palmito podem ser determinados diversos fatores como coloração, sabor, odor, acidez, odores desagradáveis, diâmetro dos toletes, comprimento, defeitos no corte e aspectos da salmoura (MORI et al., 1989). 


O controle microbiológico também tem se apresentado de relevante importância em palmitos, pelo risco de contaminação pelas toxinas do Clostridium botulinum, causador da doença denominada como botulismo alimentar. Esta doença é considerada grave e apresentada altas taxas de mortalidade, com o palmito sendo considerado o segundo alimento conservado mais propenso a causar esta doença, perdendo somente para a carne suína (CERESER et al., 2008). 

 

Sulamita Bilezikdjian

Engenheira de Alimentos

CREA 5060534860

 

 


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